- Mãe! Eu não quero vestir isso! - Grita a pobre garota de quinze anos para a mãe.

- Mas Aline. Vai ficar tão bonito em você. - Fala Tereza,

uma mulher com seus quarenta anos, mas esbanjando charme num vestido de festa longo e um belo coque na cabeça. Ela estava arrumada para uma festa. E sua filha nem se quer tinha tomado banho. Estava imunda e ela tinha acabado de lhe-mostrar o vestido que ela tinha reservado para a filha. Aline que mais se parecia um menino simplesmente não gostou. E dizia que não iria a um casamento com aquele vestido.
- Mãe eu não quero que ninguém me veja com esse vestido.
- Querida. Você vai ficar linda. Agora trate de tomar banho e vesti-lo ou você não sai desse quarto inteira. - Aline se espantava de como sua mãe conseguia ir do tom carinhoso ao tom perverso numa frase só. Mas Tereza conseguia.
Ela pega o vestido em cima da cama. Não intendia como a prima podia casar. Elas eram tão amigas. Agora a amizade iria se acabar. E em tão pouco tempo de namoro. Nem chegou a conhecer o noivo dela. Fez uma viagem de ferias e voltou já noiva. Deve ser que está gravida.
Aline com um olhar perverso pega a tesoura e em pouco tempo estava pronta descendo os degraus apertados de sua casa no interior de Goiânia. E vestido estava bem mais curto do que Tereza pretendia. Jorge, o pai de Aline segura firme a mão da esposa, se não literalmente ela iria pular no pescoço da filha. A filha ainda teve tempo de usar a tesoura também no cabelo o repicando.

- Estou usando o vestido mamãe. Vamos.
Jorge para reverter o acontecido, corre até a filha e com um sorriso quase louco no rosto beija a filha e fala:
- Por que você não vai esperar no carro querida.

Com um sorriso malicioso Aline sai de casa para ir para o carro que já estava fora da garagem. E percebe que um forte vento atravessava a rua reta da casa de Aline. Ela com raiva fala.
- Tomara que mesmo que chova muito. - E entra no carro nervosa.
Na casa Tereza sentada ao sofá estava em desespero.
- Você viu o que essa menina fez com o vestido. Aquele vestido me custou uma nota Jorge!
- Eu sei Tereza. Ela está querendo chamar atenção. Deixa ela aparecer. Quando perceber que só está parecendo uma palhaça ela para.
- Quando que isso vai acontecer Jorge? Quando? Nem na escola essa menina quer ir mais.
- Ela não falou serio. Você sabe disso. Estamos nas ferias. Ela vai acabar sentindo falta no final do amigos da escola. Agora vamos, que você sabe o jeito que sua irmã é.
- Meu Deus. - Diz Tereza se levantando e pegando a bouça. - Como vou aparecer com esse trem na frente da minha irmã?
- Pense bem. Não é sua filha que está casando gravida, com um cara de outro Estado.
Teresa respira fundo e sai de casa.
Os dois eram um lindo casal apaixonado. Casaram-se jovens. E tiveram Aline depois de muito planejamento. Era tudo perfeito para aquela menina ser um sucesso. Mas o destino foi bem mais difícil do que Tereza pretendia que fosse. Ser a senhora Silva não era tão facil.
Chegando ao lado de fora da casa percebe a ventania, e se preocupa.
- Tomara que a festa não seja em lugar aberto.
Jorge abre a porta do carro e fala para a filha que estava com ténis sujos no sofá. Tereza estava tão preocupada com a roupa que não viu o ténis sujo.
- Tira esse pé do estofado antes que sua mãe veja. Você quer o que? Mata-la?- Diz ele dando um tapa nas pernas das filhas.
- Ai pai. Não precisa bater. - Diz ela obedecendo.
Tereza entra no carro rapidamente. E com cada um devidamente colocado o sinto o carro sai. Logo chegam ao grande jardim da casa da grande casa de Adelaide. Irmã de Tereza. Todos estavam muito apressados tentando colocar tudo dentro da casa. A pobre queria fazer um lindo casamento no jardim da casa. Adelaide, com um desespero e toda descabelada, segurando um chapeu muito esquisito na cabeça vai receber os dois.
- Oi meus queridos.
- Oi Adelaide. Mas que confusão é essa?
- Como você pode ver, Cidinha queria um casamento do lado de fora. Não me escutou, dá nisso. Está chorando lá dentro no quarto dela. Porque não vai falar com ela Aline. Aline sente um aperto no coração. A praga que rogou deu certo. Não queria que tivesse dado certo de verdade. E com um sentimento de culpa enorme corre para a grande casa, com três andares. E chega ao quarto.
Sua prima estava deitada na cama. Debulhadas em lagrimas com o grande vestido de noiva amaçando. Ao ver Aline, ela se levanta e corre para abraça-la.- Minha querida. Você não sabe o que aconteceu.
- Eu vi priminha. - Diz Aline. A abraçando.
- Não. Não sabe. Eu to gravida!
- O meu Deus Cidinha! - Diz Aline fingindo estar assustada. Pois todos naquela festa já desconfiavam.
- E o Lu não vai vir.
- Quem é Lu Cidinha?
- É o meu noivo. Eu falei para minha mãe que ele já tava aqui em Goiânia. Só que eu nem contei para ele. Ele ainda está lá na Bahia.
- O que? Você tá se casando sem um noivo.
- Sim.
- Então que bom que o vendaval aconteceu. Nossa que alivio.
- Alivio porque Aline?
- Alivio por você não passar um vexame na frente de todo mundo. - Mente Aline. Que na verdade estava aliviada pois sua praga tinha dado um bom resultado.
- O que eu vou fazer Aline?
- Uai prima. Vamos cancelar o casamento. Diz que o Lu ficou preso no transito.
Cidinha finalmente para de chorar.
- É uma boa ideia. Vá falar com minha mãe.
Aline corre como uma criança até a tia que afobada tentava arrumar o altar no meio da sala de estar.
- Finalmente está pronto. Agora só falta o noivo chegar.
- Tia. O noivo não vai vir.
- O que? - Diz ela num assombro.
- Ele está preso num engarrafamento. É impossivel de sair de lá até o tempo certo. Tá tendo uma tempestade enorme e não vai dar para ele vir.
- Eu não posso mandar os convidados embora.
- Vai deixar sua filha passar vergonha tia? - Diz ela correndo até a tia.
- Não. O que eu faço minha criança?
- Diz que foi o padre que não vai vir. Assim Cidinha não passa um vexame e todos vam entender.
- Tá mas o padre já está aqui já faz duas horas.
- Tudo bem. Deixa que eu falo. Agora você cuida do padre.
Aline autera a voz chamando a todos da escada.
- Gente! Tenho uma horrivel noticia. O padre que iria fazer o casamento bebeu demais. Não vai poder fazer o casamento.
Adelaide olha assustada para a subrinha. E encontra o padre ironicamente bebendo um ponche. Ela o cata pelo braço e o taca no banheiro. E o tranca. Com o burburinho ninguém esculta os pedidos de socorro dele. E logo os convidados da festa vam embora, deixando apenas Aline e seus pais. E o padre trancado no banheiro.
- Bem minha querida. Não tem como te agradecer pelo bem que fez a minha filha. - A chuva do lado de fora já caia forte.
- Tem sim.
- O que? - fala Tereza assustada com a folga da filha.
- Por que não paga uma passagem para eu e a Cidinha relacharmos.
- Você está ficando louca Aline? - Reclama o pai.
- A Cidinha está muito triste. Uma viagem de ferias para ela vai fazer bem. Eu vou com ela e na ultima semana das ferias voltamos com o casamento já armado.
- Não é má ideia. Pra onde você querem ir?
- Bahia!
- Mas a Cidinha foi para lá no Carnaval.
- Eu sei. Ela disse que seria maravilhoso para ela me mostrar o que ela viu.
- Espero que não mostre tudo. - Diz Tereza nervosa.
- Otimo. Vou comprar as passagens vocês vam amanha mesmo.
- Ai tia! Obrigada! - Diz Aline beijando a tia e correndo para o quarto novamente da prima.
- Tudo pronto prima. O casamento foi adiado, para a ultima semana de Julho. Agora agente vai para Bahia encontrar seu noivo.
- O Meu Deus. Você jura que vai fazer isso por mim prima?
- É claro. Vamos amanha bem cedo.
- Vamos encontrar o Lu. - Diz ela abraçando a prima.
- É Lu de que?
- Eu sei lá. Agente só se encontrou uma vez.
- Só uma vez?
- Sim. Você sabe como é essa historia de Carnaval.
- Tudo bem. Vamos encontra-lo. Se não encontrarmos agente pelo menos se diverte.
E foi assim que começou a historia de Cidinha e Aline. Duas amigas em busca de um Lu.
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