Ver seu rostinho lindo novamente. Sua face de pureza e fragilidade. Aline do lado da cama de Abigail sorria. Ela era uma criança. Uma garotinha que com muita coragem e ignorância conseguiu sobreviver dois meses, sem seu pai e sua mãe. Mas agora Abigail tinha Aline, e Aline tinha Abigail. Luciano abre a porta do quarto de Aline e Abigail. Ela se vira e ao ve-lo vira-se novamente para sua tarefa de acariciar os lindos cabelos loiros de Abigail até que ela acorde da anestesia. Ela estava muito nervosa, e Luciano tinha que resolver isso.
- Aline eu queria apenas explicar...
- Explicar o que? - Diz Aline de costas para Luciano já deixando lágrimas caírem de seu rosto. - Como arrancou a Abigail dos meus braços sem nem se quer perguntar o que eu achava. Ou porque deixou de falar comigo depois que achou a Cidinha?
Luciano se aproxima indo para falar algo. Só que para ao perceber que ela limpava as lagrimas.
- Você precisa entender Aline. Está difícil para mim. Meu filho pode nascer a qualquer momento. A cada dia a comida está só diminuindo. É muita pressão.
- Luciano. Eu não estou pedindo favor nenhum. - Diz ela se virando finalmente para Luciano sem vergonha das lágrimas que caiam do seu rosto. - Eu só não quero que você peça para eu aceitar que somos uma linda família feliz. Você e a Cidinha são uma linda família. E você me deixou. Não venha fingir que se importa comigo.
Luciano olha firme para os olhos de Aline. Porque tanto ódio? Ele sabia porque.
- Porque me chama de Luciano? E não de Lu, como todo mundo?
Aline desmancha sua feição de raiva e cai num choro sentido, numa tristeza.
- Porque vai ser sempre o meu Luciano, que eu encontrei aqui nesse mesmo quarto. Não é o Lu que a Cidinha encontrou num Carnaval.
Mas alguém abre a porta. Era Diogo que sorrindo abre a porta dizendo:
- E ai como ela está?
Aline sorri para Diogo. Ele não tinha percebido nada que estava rolando naquele quarto.
- Só está dormindo. - Diz Aline segurando a mão de Diogo e o levando até a cama. Os dois alisam os cabelos loiros de Abigail. - A Magali falou que era bom que quando ela acordasse ela visse o pai e a mãe aqui.- Aline olha para Luciano paralisado vendo a cena. E virasse para Diogo e o beija. Ela o beija com força, uma força que Diogo pensava que era amor. Mas não. Era odio. Odio com vontade de mudar. Mudar o que seu coração queria.
Luciano sem graça sorri e fala sorrindo:
- Acho que isso então não me inclui. - E sai pela porta. Aline com tristeza vê ele sair. E virasse para Diogo que esboça um grande sorriso no rosto.
- Eu juro Aline. Teremos nossa família perfeita aqui. E nada vai te faltar.
Aline o abraça e o beija mais uma vez. Esse beijo não era de ódio. Era de esperança. Uma esperança amarga. De repente algo na cama se move. Era Abigail acordando.
- Aline? - Pergunta Abigal com a voz fraca. - Diogo?
Aline e Diogo sorriem para Abigail.
- Porque não nos chama agora de mãe e pai Abigail? - Pergunta Aline limpando as lágrimas, agora que caiam de alegria.
- Porque?
- Porque seremos seus pais de agora em diante. - Fala Diogo sorrindo.
- Isso enquanto seus pais de verdade estão fora.- Corrige Aline num tom serio.
- Tá bom então. Mãe e pai.
Os três se abraçam. Finalmente Aline tinha conseguido sua família. Seu sonho tinha se realizado. Ou quase.
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