segunda-feira, 14 de junho de 2010

As 5 etapas da morte

O frio entrava nos ossos, como se fosse um liquido fino ingetado no nas pontas dos dedos dos pés e das mãos, passava pela espinha e ia parar nos fios de cabelo, fazendo-os ficar mais arrepiados. O tremor parecia encontrolavel. E quando era controlado fazia sua cabeça parecer que ia ser estourada. Era assim que Aline se sentia sentada na grama presa naquela jaula feita pelos Etes que invadiram a terra. Ela olhava com relutância para a sua amiga. Cidinha. O que ela devia estar passando era mil vezes pior. Ela tinha uma vida dentro dela. E não podia fazer nada para protege-la. E Magali. Perdeu brutalmente seu marido, e os infelizes dos Etes ainda a fazem ver o próprio marido tentar mata-la. Ela apenas estava escorada na jaula chorando, parecia nem perceber o frio. O homem mais velho parecia pior a cada momento. Estava ficando verde, e seus olhos estavam cada vez mais vermelhos, o coitado tremia muito. Paulo encarava tudo com coragem em pé. Nem parecia sentir os pingos gelados do frio. A mulher gorda também não parecia se preocupar com o frio, dormia tranquila num canto da jaula.
Aline olha com raiva para os Etes em figuras de mulheres, homens, velhos, crianças. Ela com raiva se levanta e vai cima da jaula. 
- Nos tirem daqui! Nos temos direito! Tem gente morrendo aqui! 
Cidinha se levanta e segura o braço da prima com suas mãos congeladas. A Ete com aparência de mulher ruiva se vira para seria para Aline. E fala com sua voz fria. 
- Nos já vamos partir. Falta pouco. 
- Sua vagabunda! Partir para onde! Responda a minha pergunta! 
Paulo vai até elas e tirando seu casaco coloca em volta de Aline. 
- Calma Aline. Não vê que raiva não vai adiantar nada? 
Aline suspirando firme vira-se mais calma para a ruiva.  
- O que vocês querem? Me diga! Fala que tentaremos arrumar! 
A mulher ruiva solta um sorriso maligno. 
- O que nos queremos são suas vidas. Nada mais. 
Aline assustada anda para trás. E começa a chorar. Um choro profundo. Caindo de joelhos na grama molhada. 
- Nos vamos morrer Cidinha! Nos vamos morrer! 
Cidinha abraça a prima. 
- Não vamos. Não vamos! Vamos dar um jeito. Não é isso que você sempre fala? - A voz dela era tremida mas com o mesmo carinho de sempre. - Cadê minha prima forte? Cadê? - Diz Cidinha começando a chorar também. As duas chorando no chão despertam a agunia o medo e a tristeza de todos em volta. Até Paulo que parecia ser o mais forte solta uma lágrima que é limpada rapidamente.
Aline limpa o rosto sorrindo e fala para a prima. 
- Vamos encarar essa juntas. Certo? Juntas! - E segurando a mão de Cidinha se levanta. Se levanta para ver com um certo alivio misturado medo finalmente os Etes saindo de suas posições e se aproximando cada um de uma grade. 
Não importava mais o que iria acontecer. Aline estava preparada para tudo. Até para morte. Tinha aceitado que seu destino não estava mais em suas mãos. 
O rosto da mulher com seus olhos castanhos frio  e cabelos ruivos molhados se aproximando da jaula fala:
- Saiam um de cada vez. Se uma confusão acontecer todos serão exterminados. Inclusive eu. 
Cidinha sai primeiro da jaula. A mulher ruiva pega cada um dos braços de Cidinha e do nada algemas saem das mãos da mulher e se fecham nos punhos de Cidinha. 
- Siga com o D2020. - Diz a ruiva apontando para um senhor mais idoso, mas que não aparentava nada de cansaço. Cidinha olha para a prima e segue com ele. Ele começa a caminhar segurando as correntes de Cidinha para o meio da neblina escura. 
Aline vai logo atrás e do mesma forma as algemas são presas em seus braços, da escuridão da neblina surge uma outra mulher mais moça, e com cabelos loiros. Aline segue com ela para desaparecer no meio da neblina também. 

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