segunda-feira, 28 de junho de 2010

A descoberta da fala

Aline abre os olhos. As paredes brancas do seu quarto se transformando em um cinza graças a escuridão confirma pra ela que aqueles dois meses não tinha sido mentira. Ela estava dentro de uma nave sim. Ela sem se levantar da cama, pega algo de baixo da cama. Era um dos canetões. Ela marca em sua parede mais um risco, marcando mais um dia que se passava. Ela e todos os passageiros da nave marcavam o dia pelo cansaço, pelo sono. Mas não dava para ter certeza. Era sempre a escuridão que se via pela janela no quarto. Uma janela que não podia se abrir e feita apenas para enganar a cabeça dos estupidos seres humanos. Isso era o que os Etes achavam até eles os humanos se revoltarem, exterminar os Etes e tomar conta da nave.

Magali também se levanta da cama na frente de Aline. Se levanta já agarrando o pé de Aline. Sua mãe gelada e mas cheia de força. Força e coragem.
- Vamos Aline. Está na hora.
Aline se veste com o macacão branco de sempre. Magali do seu lado também. Batidas na porta. Magali ainda com cara de sono abre. Era Paulo com um sorriso bobo do rosto.
- Oi Magali. A Aline está ai?
- Você sabe que ela só pode estar aqui numa hora dessas Paulo. Para que você tem que perguntar toda manha?
- Educação. Você conhece?
Magali como sempre encara com brincadeira. E como se fosse uma mãe deixando a filha ir brincar no quintal deixa Aline passar pela porta com um sorriso bobo no rosto.
Aline ao ver Paulo dá um sorriso. Seus olhos brilham e ele respira fundo.
- Vamos explorar hoje?
Aline sorrindo fala:
- Você sabe que meu trabalho não é esse.
- Você sabe também que você a qualquer momento mudar. - Diz ele rindo não se rendendo.
- E quem disse que eu quero? - Diz ela atrevida, mas com um sorriso bobo nos lábios.
- Mas aposto que quando eu te mostrar uma coisa você vai querer. - Diz Paulo pegando a mão de Aline e saindo doidos pelo corredor. Até parar diante de uma porta com um X enorme na porta. Ele com ar misterioso fala:
- Não são todos que sabem que a Terra foi destruída Aline.
- É. Mas isso eu sei. - Fala Aline sem graça.
- Pois bem. Mas aposto que você não sabia que os Etes estavam nos observando. - Diz Paulo abrindo a porta e mostrando a sala cheia de televisão. Ele puxa Aline pela mão e lhe mostra o controle. - Vamos aperte cada botão.
Aline surpresa pega o controle e aperta.
Da tela aparece um deserto. Ela surpresa aperta outro. E outro. Até que de repente. Ao apertar um outro botão. A tela do deserto se torna numa tela branca. Paulo surpreso pega o controle.
- O que você apertou?
- Eu estraguei?
- Não sei. Aparecia só imagens de deserto. Nunca apareceu isso.
Ele se aproxima da tela. E de repente Magali atravessa a tela. Com o susto ele pula para trás. Ele apavorado olha para Aline:
- O que você apertou?
- Apertei duas vezes o mesmo botão.
Paulo mira na outra televisão e aperta. Era o quarto de Cidinha, sua mãe e Luciano. Ne uma das camas Luciano acariciava a barriga de Cidinha com carinho e amor. Aline olha para Paulo assustada:
- O que isso quer dizer?
Paulo não fala nada apenas corre pelo corredor novamente sem se importar com Aline correndo atrás dele.
- Paulo me diz. O que tá acontecendo?
Ele caminha até o quarto que estava vendo a pouco tempo. E abre a porta assustando Cidinha e Luciano. Ele serio apenas fala:
- Lu. Você precisa ver isso!
Logo Luciano já estava no quarto de videos e olhando para todas as televisões sintonizadas nos quartos de cada pessoa. Até nos banheiros e corredores. Roendo as unhas Luciano serio pergunta:
- Porque está tão preocupado?
- Lu. Eles estavam observando agente quando estávamos na terra. Porque não estariam observando agente aqui nessa nave?
- Como assim Paulo? - Pergunta Adelaide abraçada a filha preocupada.
- E se isso foi só um teste. Alguém além de mim, não acha que para um povo que rendeu um planeta inteiro, nos não rendemos eles fácil de mais.
Aline fica apavorada. Fazia muito sentido.
- Olha Paulo. Isso já é paranóia sua.
- Não Luciano. - Diz Aline apavorada. - Tudo que eles fizeram com agente foi teste desde que chegamos aqui. Eles são muito mais evoluídos que agente. Isso dá pra ver pelos seus estudos. O Paulo tem razão. Foi muito fácil.
Luciano também parecia muito preocupado. Ele apenas fala com seus lábios tremendo.
- Essa porta tem um "X". Era para ser respeitado. - Ele sai praticamente empurrando a esposa e a sogra. - Não entre mais ai.
Paulo olha para Aline apavorado e fala:
- Eu sei que posso descobrir mais coisa Aline. Você me ajuda.
Mesmo quase tremendo de medo Aline balança a cabeça.

Mais tarde, Luciano chega ao refeitório onde uma gritaria acontecia. Era Sabrina, a mulher idosa que cuidou de Cidinha quando ela estava desmaiada a dois meses atrás e Magali. Magali segura um amontoado de papel.
- Você não entende Magali. Essa é nossa única fonte de fogo.
- Esses papeis pode ter a formula de como poderemos sair daqui.
- Não poderemos sair daqui, mortos de fome!
- Ei. O que está acontecendo aqui! - Diz Luciano entrando no meio das duas. Magali nervosa fala:
-É essa velha que quer queimar os documentos dos extra terrestres só para ter fogo.
- Eu é que não posso fazer comida sem fogo.
- Sabrina. Por favor. Os quartos vazios estão cheios de lençóis velhos. - As duas percebem que algo não estava bem com capitão daquele grupo.
- O que ouve Lu? - Pergunta Magali.
- Nada. Nada. Para quando será servido a comida?
- Temos um problema Lu. A comida estão apodrecendo.
- Droga. Só faltava essa.
Isso foi muito ruim para todos. Tiveram que jogar fora a maior parte da comida que tinham. Isso quer dizer que metade do tempo que tinham iria ser desperdiçados.
Magali ouve aquilo apavorada e corre para a sua sala. Tinha que descobrir uma forma de decodificar a linguagem daqueles Etes. Em dois meses não tinha descoberto nada. A não ser os desenhos de planetas distantes. Galaxias e estrelas. Até desenhos perfeitos de seres humanos.

Enquanto isso na sala dos vídeos Aline e Paulo tentava abrir uma das televisões. Isso era bem complicado sem uma ferramenta. Mas sem paciência Aline a pega e simplesmente a taca no chão. Ela abre exatamente ao meio depois de um estouro. Paulo olha com caltela. Não parecia ter nada de mais. A não ser um outro tipo de aparelho. Parecia um controle remoto. Mas só tinha um botão. O coração deles batem forte. Os dois pensavam que simplesmente poderiam apertar na direção das varias televisões. O que aconteceria? Isso era o que dava medo. Os dois se sentam na única poltrona. E apontam para a televisão onde viam a cena na cozinha. E apertam o botão. De repente, Sabrina, Magali e Luciano simplesmente começarão a falar outra língua. A língua dos Etes. A língua que eles tinham ouvido com tanto medo. Paulo aperta mais uma vez o botão e eles voltam a falar normalmente. Em português fluente. Era com aquilo que aprenderam como falávamos.

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