Aline abre os olhos. Tinha dormido. Tinha se esquecido por um minuto que não podia voltar para casa. Que estava a milhares de quilómetros de sua casa, da Terra. Aline tinha se esquecido que tinha sido sequestrada por Etes e que estava numa nave. Tinha conseguido derrotar os Etes e tomar a nave com ajuda dos vários outros prisioneiros. Entre os prisioneiros estavam sua prima, sua tia e o noivo de sua prima. Agora ela estava na sala de comando do chefe dos Etes juntos dos outros seres humanos sobreviventes. Luciano, noivo de sua prima, tinha saído para vasculhar a nave com um grupo de homens. Para a segurança, pois não sabiam se tinha mais Etes pela nave, foi pedido a todos para ficarem na sala de comando, esperando pela liberação da área. A sala de comando era mais parecido com um escritório de enfermagem. O piso gelado parecia ser impossivel dormir nele. Mas o cansaço de todos era maior. E a maioria das pessoas estavam dormindo. Apenas Magali estava acordada, tentando abrir uma gaveta.
Aline se levanta e vai até ela. Sorrindo com seus olhos verdes, Magali fala baixinho:
- Me desculpe por acorda-la Aline.
- O que está fazendo? - Pergunta Aline tentando recuperar a sensibilidade do braço esquerdo, aonde tinha usado de travesseiro no chão.
- Estamos na sala de comando de Etes Aline. Você não está interessada em saber algo sobre eles? O que eles queriam? O que eles sabiam sobre nos? - E dando um puxão forte Magali consegue abrir a gaveta. E de lá ela tira vários papeis finos com desenhos e uma escrita indecifravel.
- O que é isso? - Pergunta Aline estranhando os desenhos.
- Parece cordas de violão. - Diz Magali rindo.
- Será que os Etes tocavam violão. - Aline ria, mas ao olhar para o chão ela dormindo abraçada com Luciano e com a mãe do lado, seu sorriso se fecha. Magali fecha também o seu sorriso e colocando a mão no ombro da amiga fala:
- Eu sei o que você está sentindo.
Aline se vira constrangida.
-E tão ruim saber que não poderei voltar para meu pai e minha mãe na terra.
Magali abraça a amiga que chora.
- Temos é que formar nossa família aqui agora Aline. E sei que conseguiremos voltar para a Terra.
De repente a porta se abre. Era Paulo com um sorriso no rosto.
- Achamos os alimentos! Tragam todos!
Toda a multidão se levanta e vai seguindo Paulo pelo corredor. Aline vai na frente e Paulo correndo com seu sorriso lerdo no rosto segura sua mão falando com alegria:
- Vem Aline! Parece que não está com fome!
Não estava com fome?Aline não comia a horas ou a dias. Não sabia quantas horas tinha se passado desde a ultima refeição. Só sabia que seu estômago parecia começar a entrar para dentro. Mas do lado daquele rapaz segurando sua mão. Ela só percebia que não estava sozinha.
Paulo para de frente a porta do refeitório. Luciano estava em cima da mesa comandando como um soldado, os homens que levavam os mantimentos para cima da mesa.
- Coloque os pães ali. Não Cristovão. Esses alimentos podem deixar na cozinha.
Todas as outras pessoas correm para a mesa, para atacar a comida. Mas Luciano com sua voz atoritaria fala:
- Esperem!
Todos assustados param e olham para ele em cima da mesa.
- Essa é a comida que temos para viver nessa nave!
Aline olha apavorada. As varias comidas cobriam a mesa de dez metros por completa. Mas podia ter o triplo daquilo que não adiantaria. Nada bastaria. Eles não tinha noção de quanto tempo iriam ficar naquela nave. Não tinha noção se iriam sair daquela nave. Tinham que regrar aquela comida o máximo de tempo possível para poderem aprender como controlava aquela nave. E se eles não conseguirem aprender aquela quantidade de comida era o tempo que tinham de vida.
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