Aline e Paulo corriam pelo grande corredor da nave. Mais uma vez. Mas Aline sabia que Paulo dessa vez não daria a mesma burrice que antes. Não iria falar com Luciano. Magali era alguém melhor para entender o que aquele controle significaria. Ele para diante do escritorio e não entra. E vira-se para Aline com seus olhos castanhos firmes.
- Não quero contar para Lu. Ele parece não querer entender...
- Ele não quer estragar o que tem aqui. - Diz Aline o corrigindo e defendendo Lu. Mas ela logo percebe que isso magoou Paulo. E resolve seu lado olhando firme no olho de Paulo e falando. - Mas o Luciano não se importa com as pessoas que perderam tudo e não tem mais nada aqui. Ele só vê a esposinha dele e o filho que está para nascer. Não está nem ai. Se ele morrer agora. Ele morria feliz. Eu não.
Paulo meio acanhado com raiva ixagerada que Aline demonstrou segura firme em sua mão. Deveria mesmo abrir aquela porta e contar para Magali a forma que tinham de sair daquela nave. Aquela nave protetora. Aquela nave, que se ficassem ali, poderiam viver bem, pelo menos o pouco tempo que tinham.
Enquanto Paulo pensa Aline abre a porta. Magali se vira assustada. Estava com seu caderninho anotando algo. E solta o lapiz com o susto.
- Meu Deus Aline. Vocês me assustaram.
Paulo e Aline entram. Paulo ainda se demonstra apreensivo. Magali percebe algo no olhar do casal.
- O que foi?
- Encontramos algo. - Diz Aline seria.
- O que? - Pergunta Magali largando o caderninho e as folhas. Sabia que se Aline a tivesse atrapalhado seus estudos era algo muito importante.
Aline pega o controle da mão de Paulo que ele escondia de trás de suas costas e mostra para Magali.
- O que é isso? - Pergunta ela segurando o controle e vendo apenas um grande botão. Uma bola achatada em cima e em baixo.
- Não fale para o Lu. - Diz Paulo euforico.
- O Paulo encontrou uma sala onde os Etes espionavam agente, quando estavamos presos. E achamos esse controle dentro da televisão. E quando apertamos. Você, a Sabrina e o Luciano passaram a conversar com a linguagem dos Etes. - Aline parecia não parar de falar.
- Espera Aline. Mas o que temos aqui não são videos. E sim coisas escritas.
Paulo se aproxima intertido.
- Mas se estiveram nos vigiando. Devem ter gravado algo. E se gravaram algo, deve ter pegado eles próprios conversando.
Magali com seus olhos claros e firmes apenas fala seria:
- Me mostre aonde fica essa sala.
Os três vam correndo até a sala de video. Ela ao ver as varias televisões olha asssustada. Aline e Paulo veêm seu deslumbramento como se Magali fosse uma propria cena da televisão. Até que Aline pega o controle com varios botões e aperta alguns deles apenas uma vez cada. Mostrando o planeta Terra.
- Mas essa não é a nave. - Diz ela assustada vendo o deserto.
- Esse é o planeta Terra Magali. É assim que ele está.
- Quer dizer que estou batalhando a dois meses para voltar a um deserto? - diz Magali deixando lagrimas cairem de seus olhos.
- Não Magali. - Diz Aline segurando Magali pelo ombro. - Temos mais esperança lá. Podemos sobreviver ali. Os seres humanos já sobreviveram a muitas temperaturas diferentes. Temos muito mais chances na Terra do que aqui sem comida.
Magali olha mais uma vez para a Terra vazia e noturna. Ela limpa as lagrimas e se desvencilhando de Aline fala:
- Cadê as cameras com as naves.
Aline aperta mais uma vez um botão. E mostra um quarto branco. Era Diogo, que olhava Sabrina cozinhar e brincava com ela.
- Você cozinha tão bem. Daria uma boa dona de casa... - A própria Magali aperta o unico botão do outro controle. E eles começam a falar na linguagem dos Etes. Magali solta um grito de emoção. Era verdade. Tinha alguma forma de traduzir aquela linguagem tão complicada. Não era nem tanto por sair daquela nave. Mas sim por ter um trabalho de tanto tempo tão facilitado. Uma luz no fim do tuneo. Um tuneo profundo e negro.
Logo ela pula arranca mais uma televisão da parede e vê um fiu entrando pela parede. Ela puxa o fiu arrancando o papel de parede branco vendo que o fiu da televisão ia dar no teto.
- Tem um segundo andar! - Grita ela.
Aquilo era de apavorar. Por mais que Paulo com seu grupo andassem, nunca conseguiram encontrar o fim do primeiro andar daquela nave imensa. Agora tinha um segundo andar. Magali se vira para Paulo.
- Me desculpe Paulo. Mas temos de chamar o Lu. Temos que ir até o segundo andar.
Paulo não tinha como negar. Saber que um segundo andar cheio de coisas novas era algo mais forte do que uma rixa contra Lu. Dando partida em mais uma corrida Paulo corre pelo corredor novamente seguido por Magali e Aline.
Eles entram novamente no quarto de Cidinha. Ela se levanta da cama de repente.
- O que ouve agora? - Pergunta ela vendo a brancura do rosto dos três.
- Cadê o Luciano Cidinha? - Pergunta Aline reculperando o ar.
- Não sei. Porque? - Pergunta ela apavorada. Adelaide sai do banheiro as pressas ouvindo a conversa.
- O que está havendo?
- Tem um segundo andar. - Fala Paulo limpando o suor do rosto.
Os cinco correm até o refeitorio aonde Diogo, Sabrina e Luciano estavam. Ao ver os cinco Luciano já desconfia.
- Lu. Você precisa vir com agente. - Fala Magali branca.
Os três se juntam ao grupo e os oito correm em direção a sala de videos.
- Eu falei pra vocês não entrarem mais ai. - Diz Luciano nervoso.
- Dá pra você calar a boca e nos ouvir! - Diz Magali se mostrando mais nervosa ainda mostrando a televisão arrebentando. Todos olham para o fio arrebentado subindo para cima.
- Pode estar saindo para fora da nave. - Diz Adelaide apavorada abraçando a filha e sua barriga enorme.
- Não. Não pode. - Diz Paulo irritado.
- Eu falei pra vocês não entrarem mais nessa sala! - Grita nervoso Luciano.
- Não enteressa! - Grita mais alto Aline fazendo todos se calarem. - Tem mais um andar nessa nave! Tanto lá pode estar nossa salvação como nossa maldição. Pode estar lá os Etes que nos observam...
- Para Aline! - Grita Cidinha apavorada.
- Você pode até querer ficar aqui Cidinha. Com sua vidinha de faz de conta. Eu não quero! Eu não vou! Eu prefiro arriscar! Sobreviver! Uma hora a comida vai acabar e seu lindo conto de fadas vai se transformar num terrivel filme de terror. Você quer ver isso? - Diz Aline furiosa e corajosa. - Vocês querem ver isso? Eu vou subir lá em cima. Quem vai comigo?
Aline depois de seu discurso um pouco maldoso olha para todos pegando folego.
- Como vamos subir lá em cima? - Pergunta Sabrina mostrando mais corajosa do que varios daquela sala.
Paulo aparece em meio a todos com uma machadinha. Iria abrir caminho.

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