Um planeta em meio ao espaço negro. Apenas pequenas estrelas querendo se comparar a grandiosidade daquela imensidão. Imensidão tão pequena. Uma imensidão que de longe não parece ter tantos problemas. Tantas mortes, tantos sequestros, tantas pessoas sofrendo.
Naquela sala fria, sentada naquele piso gelado, sentindo o pouco de calor que sua prima conseguia exalir. Ela estava fria. Seus olhos arrocheados. Ela suava. Aline estava preocupada.
Tinha mais três outras mulheres naquela sala. Todas afastadas do corpo coberto pela cortina das janelas. A mulher mais perto do corpo era Magali. Ela já tinha estado perto de um corpo. Ela já era forte para ver isso. Magali sentada no chão segurando os joelhos, balançando inquietante esperando. A segunda mulher era uma mulher loira, muito magra, alta, de nariz fino. Que não parava de chorar e tremer. Nem conseguia olhar o corpo. E não conseguia parar de falar com a terceira mulher.
- Eu sabia que eles existiam. Eu falava para todos. Muitos me chamavam de louca. Mas eu estava certa. Eu estava certa!
A terceira mulher parecia não ouvir nada que a magra dizia. Ela era uma senhora de uns cinquenta anos, suas rugas estavam claras pelo cansaço. Ela parecia mais é traumatizada. Não parava de suar.
Aline observava as mulheres na esperança de esperar fosse a resposta para a prima acordar. Mas ela não acordava.
- Ela não quer acordar. – Diz Aline soltando a dor que estava no peito. – Minha prima não quer acordar!
A primeira a se aproximar foi Magali, medindo seu pusso como uma enfermeira revelando sua antiga profissão.
- Ela não está nada bem. E sua situação piora estando gravida.
- Eles aplicaram o anestesico nela. Já deveria ter acordado. – Diz Aline deixando as lagrimas cairem.
A senhora gorda se levanta falando.
- Mas para agente acordar eles aplicam um outro tipo de liquido na gente menina.
Aline pensou, nunca tinha visto Luciano acordando. Da unica vez que chegou no quarto ele já estava acordado. Seria possivel que tivesse um antidoto para eles acordarem?
- Temos que achar esse antidoto! – Diz Aline com uma mistura de coragem e medo.
- Mas aonde deve ter esse antidoto? – Pergunta a mulher gorda assustada.
Aline se lembra muito bem que quando prendeu os Etes no quarto onde Cidinha estava, mandou apenas a loira e seus dois capangas esvasiarem os bolsos e não os outros dois Etes que aplicaram o remedio em Cidinha.
- Temos que voltar ao quarto da Cidinha! Lá tem o antidoto! – Fala decidida Aline.
- Mas como vamos sair daqui Aline. Não temos nem armas.
Aline limpando com força as lagrimas de seu rosto que teimavam em cair fala:
- Eu não vou deixar minha prima morrer! – E levantando-se corajosa abre a porta. – Se quiser virem comigo. Vam ajudar muito. Mas preciso que uma de vocês fiquem aqui junto da Cidinha.
Magali se aproxima de Aline colocando a mão em seu ombro confiante.
- Eu vou com você Aline. Não vou te deixar sozinha nessa.
A loira e magra também se levanta com uma cara bem metida.
- Eu não vou ficar aqui junto desse corpo. Eu faço tudo pra sair daqui.
Aline se vira para a mulher gorda e fala confiante:
- Cuide de minha prima. Por favor.
- Não se preocupe moça. Apartir de agora ela é como uma filha pra mim.
Aline com coragem fecha a porta. E olha para a frente para aquele corredor branco. Estava sem armas. Mas iria fazer de tudo para tentar fazer sua prima sair daquele chão frio, se levantar e conseguir lutar pela propria vida.
Com suas pantufas ela caminha pelo chão gelado. Tinha que encontrar entre as milhares de portas. A porta que tinha trancado os Etes. E de vagar andava pela corredore esperando que sua intuição mostrasse o caminho certo.
- Não dá pra gente correr! Não é seguro ficar aqui o dia todo. – Diz a loira ignorante.
Mas Magali que acompanhava Aline com raiva fala:
- Ninguém te chamou aqui não! Você poderia ter ficado com a ou…
De repente uma das portas se arrebenta saindo um monstro enorme e atravessando o corredor carregando a mulher loira e a levando para o outro corredor arrebentando a porta como se fosse palitos de dente.
Aline nem olha para trás. Apenas corre ao ouvir o grito da mulher. Não vê atrás de si, o monstro, como um cachorro enorme sem peles, com suas garras enormes presas contra a parede, suas presas enormes com o sangue da mulher gotenjando subiam até o olho enorme como de uma abelha.
As duas correm pelo corredor com coragem, com esse terrivel monstro atrás delas. Até que Aline vê finalmente uma porta aberta e tem certeza que era aquela na qual deveria entrar. Aline entra e dá tempo apenas de Magali entrar quando ela fecha a porta com o tremor do terrivel monstro batendo contra a porta. O mostro recocheteia na outra parede do corredor dando tempo de Aline trancar a porta. Mas o Ete se joga contra a porta novamente elevando gritos de desespero das duas mulheres. E mais uma vez. E mais uma. Ele queria entrar de qualquer jeito.
Magali em desespero deixando lagrimas cair fala:
- Aline! Rápido! O que vamos fazer!
Aline fazendo força contra a porta fala nervosa:
- Era aqui que deveria estar os Etes com os antidos!
- Os Etes estão lá fora! – Fala o obvio Magali. Mas Aline olha para dentro do quarto novamente e vê no chão com horror, peles de dois seres humanos. Eles pareciam roupas velhas jogadas ao chão. E Aline percebe com horror que os Etes faziam era vestir os ser humano. Mas ela não tinha tempo de ver esse horror. Ela sabia que dentro daquelas peles, dentro das roupas deles tinham o antido para salvar sua prima.
Aline larga Magali segurando a porta sozinha e se abaixa para agarrar aquela pele e de dentro dela ela pega o antidoto. Mas tinha mais alguma coisa lá dentro. Aline deixa cair do bolso daquelas peles duas armas.
- Aline! – Grita Magali não aguentando mais segurar a porta sozinha. A porta se abre jogando Magali na parede. Aline só da tempo de se virar e atirar dentro da boca do terrivel monstro que pretendia-a devora-la. A explosão faz destroços do monstro cair no quarto todo. Magali se levanta do chão passando as mãos nas costas onde pensava que tinha se cortado. Mas o que ela sentia ser sua carne. Era a pele dos outros três Etes.
E com terror Magali fala:
- Aline. Tem mais quatro Etes.
- Eu sei. Por isso vamos leva-las.
Aline se levanta já indo para o corredor e começando a atirar, nos outros dois monstros que se aproximavam. Eles se desviam pulando da parede para o teto, do teto ao chão, e do chão a parede. Aline vendo que isso não ia adiantar vira-se para Magali e fala aos berros.
- Vamos Magali!
As duas saem correndo novamente pelo corredor agora perseguidas por dois enormes Etes.

Nenhum comentário:
Postar um comentário